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Voir dans le PDF(s’ouvre dans une nouvelle fenêtre)Record 26 of 331 in The Philosopher's Index 1940-2004/03
TI: Sobre a Classificacao de Triangulos Pitagoricos
AU: Fossa,-John-A; Erickson,-Glenn-W
SO: Principios-. JI-D 01; 8(10): 75-85
JN: Principios:-Revista-de-Filosofia
IS: 0104-8694
AB: In Ancient Greek mathematics, there were two well-known formulas for
generating Pythagorean triangles, one attributed to Pythagoras and the other
attributed to Plato. In the present paper, we will analyze these two formulas
from the point of view of rhetorical algebra, show how they might have been
derived from the Babylonian formula for obtaining Pythagorean triangles, and
suggest some reasons for which the Pythagoreans and Platonists might have found
their respective sequences of triangles interesting. (edited)
DE: ALGEBRA-; LOGIC-; PYTHAGOREAN-; TRIANGLELA: Portuguese
DT: Journal-Article
PY: 2001
TT
Li
Ti: Sobre a Classificacao de Triangulos Pitagoricos
AU: Fossa -John-A; Erickson,-Glenn-W
SO: Principios-. Ji-D 01; 8(10): 75-85
JN: Principios:-Revista-de-Filosofia
1S: 0104-8694
AB: In Ancient Greek mathematics, there were two well-known formulas for
generating Pythagorean triangles, one attributed to Pythagoras and the other
attributed to Plato. In the present paper, we will analyze these two formulas
from the point of view of rhetorical algebra, show how they might have been
derived from the Babylonian formula for obtaining Pythagorean triangles, and
suggest some reasons for which the Pythagoreans and Platonists might have found
their respective sequences of triangles interesting. (edited)
Co 33 RS
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Voir dans le PDF(s’ouvre dans une nouvelle fenêtre)Sobre a Classificacäo de Triängulos
Pitagóricos
John A. Fossa!
Glenn W. Erickson?
A matematica grega antiga conhecia duas förmulas para
triângulos pitagoricos’. No presente trabalho, analisaremos estas
fórmulas do ponto de vista da algebra retórica (entendida como
a algebra näo simbolica, expressa discursivamente),
mostraremos como elas poderiam ter sido derivadas do
algoritmo babilônico para a geragäo de triängulos pitagóricos, e
sugeriremos razöes pelas quais os pitagóricos e acadêmicos se
interessaram por triângulos gerados pelas respectivas fórmulas.
Num trabalho subseqüente, analisaremos as formulas do ponto
de vista da técnica das diferencas das diferengas.
A primeira das referidas formulas, a Formula de
Pitágoras, afirma que (n, %(n’-1), %(n’+1)) é um terno
pitagórico sempre que n é um inteiro impar maior ou igual a 3.
De fato, desde que Y(n’+1) - Ya(n?-1) = 1, os triângulos obtidos
usando esta formula säo todos pitagóricos primitivos. A
segunda, a Formula de Platäo, afirma que (2n, n°-1, n°+1) é um
terno pitagórico sempre que n é inteiro e maior ou igual a 2.
Aqui, n°+1 - (n°-1) = 2; assim, os triângulos obtidos säo ou
primitivos ou o dobro de um primitivo. HEATH (1981, v.1, p.
79-82) especula que as formulas foram obtidas através de
investigagöes sobre nümeros figurados. A especulaçäo €
atraente, porque, de fato, sabemos que os primeiros pitagóricos
! Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Departamento de
Matematica.
? Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Departamento de
Filosofia.
3 Para os conceitos básicos nao definidos no texto, ver FOSSA e
ERICKSON (1997).
4 Ver o ultimo capitulo de ERICKSON e FOSSA (2001).
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Voir dans le PDF(s’ouvre dans une nouvelle fenêtre)estudaram números figurados extensivamente. Listamos os
primeiros dez ternos gerados pelas duas fórmulas:
Fórmula de Pitágoras
Förmula de Platäo
(3, 4, 5)
(5, 12, 13)
(7, 24, 25)
(9, 40, 41)
(11, 60, 61)
(13, 84, 85)
(15 112, 113)
(17, 144, 145)
(19, 180, 181)
(21, 220,221)
(4, 3, 5)
(6, 8, 10) = 2x(3, 4, 5)
(8, 15, 17)
(10, 24, 26) = 2x(5, 12, 13)
(12, 35, 37)
(14, 48, 50) = 2x(7,24, 25)
(16, 63, 65)
(18, 80, 82) = 2x(9, 40, 41)
(20, 99, 101)
(22, 120, 122) = 2x(11, 60, 61)
Em cada uma das duas formulas, apresentam-se certas
regularidades formidáveis. Mais notavelmente, os triângulos
gerados pela Formula de Pitagóras tem os números masculinos
(impares), dispostos em ordem consecutiva, no primeiro cateto,
enquanto os gerados pela Formula de Platäo têm os femininos
(pares) dispostos de modo análogo (embora, nota-se, 1 nao
aparece na primeira seqüência e 2 näo aparece na segunda).
Como ja vimos, todos os ternos gerados pela Formula de
Pitágoras säo primitivos. Os gerados pela Formula de Platäo se
alternam entre um primitivo e o dobro de um primitivo; além
disso, o dobro é sempre o dobro de um primitivo gerado pela
Fórmula de Pitágoras. Do ponto de vista geométrico, tudo que é
gerado pela Fórmula de Pitágoras é gerado (inclusive
semelhanga) pela fórmula de Platäo. De fato, seria muito fácil
recuperar os triângulos primitivos dos dobros; bastaria bissectar
um cateto e tragar uma perpendicular ao cateto neste ponto,
indo até a hipotenusa. Os antigos provavelmente pensavam que
a Formula de Platäo gerava duas vezes o numero de triângulos
gerados pela Fórmula de Pitágoras.
Há ainda um fato muito curioso que pode nos ajudar a
colocar as duas fórmulas em perspectiva. As fórmulas, mesmo
em conjungäo, nâo geram todos os triângulos pitagóricos
primitivos. Muito antes do tempo de Pitágoras, porém, os
Babilônios conheciam uma fórmula, paramétrica como as duas
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Voir dans le PDF(s’ouvre dans une nouvelle fenêtre)formulas gregas, que gera todos os ternos pitagöricos
primitivos. Mas, desde que uma das principais fontes da
matemática grega era precisamente a matemática babilônica, é
altamente inverosimil que os gregos näo conheceram a formula
babilônica. Concluimos, entäo, que as duas fórmulas gregas nao
foram uma descoberta independente (e menos sofisticada) da
formula babilônica, mas que foram derivadas desta, de alguma
forma, para fins de destacar os triângulos assim gerados. Mais
adiante tentaremos vislumbrar as razöes que poderiam ter
induzido os pitagóricos e os académicos a destacar estas duas
seqüências de triângulos. Antes, porém, voltamos a nossa
atençäo a formula babilônica.
2
Os babilônios usaram a förmula (2nm, n?-m?,
n°+m?)
onde n>m (Fig. 1). O terno produzido por esta formula é
primitivo quando # e m säo primos entre si, isto é, quando o
maximo divisor comum de n e m é 1. Ainda mais importante,
esta formula gera todos os triangulos pitagóricos primitivos.
Fig. 1.
2
n +m
2nm
Quais säo as relagöes entre estas trés formulas? Parece
óbvio que a fórmula de Platäo é simplesmente duas vezes a
formula de Pitágoras; também a fórmula de Platäo € um caso
especial da formula babilônica, pondo m=l. No entanto,
devemos ter um pouco de cautela aqui porque os antigos nâo
tiveram uma álgebra simbólica e, conseqüentemente, näo €
claro que estas relagöes seriam percebidas na gênese das
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Voir dans le PDF(s’ouvre dans une nouvelle fenêtre)formulas gregas. Ha ainda outro problema: na formula de
Pitagoras temos a restrigäo de que n deve ser impar, enquanto
esta restriçäo ndo se aplica à formula de Platào; é por isto que a
formula de Platäo aparentemente gera duas vezes o numero de
triângulos que a förmula de Pitagoras. Ainda mais, a formula de
Platäo parece ser uma resposta à formula de Pitagoras, o que
indica que nao € uma conseqüência direta da fórmula
babilônica. Entäo, qual a relagäo entre a formula de Pitágoras e
a formula babilônica?
A sugestäo de HEATH (1981, v. 1, p.80), à qual
aludimos acima, é que Pitigoras’ notou que o gnomon de um
quadrado é sempre o impar 2k+1. Ele entäo teria procurado os
casos em que o gnomon è um quadrado perfeito, ou seja,
2k+1=n?. Resolvendo para k, ele teria percebido a relaçäo n° +
(‘A(n-1)P = (4(n°+1)).? A palavra “resolvendo” na sentenga
anterior deveria ser entendida de maneira a nao implicar em
manipulagào de formulagöes algébricas simbólicas e, com esta
restriçäo, a sugestäo de Heath é plausivel. Uma vez que
reconhecemos que Pitágoras conhecia a formula babilönica,
porém, há uma alternativa, que apresentaremos a seguir.
Lembramos que a fórmula babilônica gera triângulos
pitagóricos primitivos quando n e m säo primos entre si. Assim,
o problema de achar todos os ternos pitagóricos primitivos se
reduz ao problema de achar todos os pares de números naturais
(n, m) que säo primos entre si. Dito de uma forma ligeiramente
diferente, é mister achar uma maneira sistemática de exibir as
razöes irredutiveis n:m com n>m. Notamos que a descoberta de
que as concordâncias musicais têm esta forma (oitavo 2:1,
quinta 3:2, quarta 4:3 e tom 9:8) era uma descoberta de
Pitágoras e, portanto, os pitagóricos tiveram interesse neste tipo
de razäo para razöes independentes. Uma maneira de achar
estas razöes seria simplesmente verificar a divisäo de n e m por
todos os nümeros naturais menores ou iguais a m. Isto implica
em 2m divisôes para cada razäo n:m. O trabalho poderia ser
5 Usaremos “Pitágoras” como designagäo conveniente para “Pitägoras
e/ou os primeiros pitagóricos” e “Platäo” para “Platäo e/ou os
primeiros académicos”.
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Voir dans le PDF(s’ouvre dans une nouvelle fenêtre)reduzido dividindo-se apenas pelos números primos menores ou
iguais a m; eventualmente se perceberia que só seria necessário
dividir pelos primos menores ou iguais à \m. Mesmo assim, a
tarefa seria enorme, especialmente quando lembramos que o
sistema de numeragäo dos antigos näo facilitava tais calculos.
No procedimento descrito no paragrafo anterior, ainda ha
os seguintes dois subproblemas: (i) seria necessário sistematizar
a apresentaçäo das razGes n:m para ter certeza que nenhuma
fosse esquecida e (ii) seria necessário achar uma maneira de
exibir os números primos. Ha uma maneira muito simples de
achar qualquer segmento inicial de primos, porém, e, como
veremos, ela pode ser modificada para achar as razöes
irredutiveis. O método é chamado o Crivo de Eratóstenes por
ser atribuido a este matemático, contemporâneo de Arquimedes.
O método parece muito com um simples fluxo aritmético e,
portanto, provavelmente tem uma origem pitagorica. Listamos
em ordem os naturais até qualquer determinado numero N. No
primeiro estagio, eliminamos cada segundo numero depois de 2.
O primeiro numero depois de dois que nao foi eliminado é 3;
assim, eliminamos cada terceiro numero depois de 3.
Continuamos eliminando cada p-ésimo numero depois de p,
onde p é o primeiro numero que nao foi eliminado no estágio
anterior. Os números que restam sao todos os primos menores
ou iguais a N. Uma palavra de cautela: em cada estágio,
eliminamos cada p-ésimo numero depois de p, nao cada pésimo numero restante — isto é, embora um numero seja
“eliminado” ele continua a ocupar sua posiçäo nas contagens
subseqiientes.
O método pode ser facilmente adaptado para achar as
razöes irredutiveis. Simplesmente listamos (Fig. 2) os valores
de n em uma coluna e, para cada n, listamos as razöes de n:1 até
nin (alternativamente até n:n-1). Desta forma, temos uma
listagem sistemätica das n:m, o que resolve o primeiro
subproblema mencionado acima. Em seguida, fazemos um
crivo na coluna dos n. Na Figura 2, listamos os numeros p que
eliminam cada n em uma coluna 4 esquerda do n. Em efeito,
temos identificado os fatores primos de cada n. Finalmente,
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Voir dans le PDF(s’ouvre dans une nouvelle fenêtre)eliminamos cada p-ésima razäo em uma linha em que p aparece
na coluna da esquerda.
Fig. 2
3
3
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x
Qi | B
1 | 33
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ran | um Paseo} ize | aars} Om
tous | Sd
I
te | rev
[iet
frane | (043
fess | beat
Ilustramos o procedimento, o que poderia ser chamado de
Crivo Duplo, na linha seis da Fig. 2. Na coluna dos n,
eliminamos cada segundo nümero depois de dois, ou seja, 4, 6,
8, 10, etc. Notamos 2 na coluna à esquerda de 6. No próximo
estägio, eliminamos cada terceiro nümero depois de 3, ou seja,
6, 9, 12, etc. Anotamos 3 na coluna à esquerda de 6. Em
seguida, eliminamos cada quinto nümero depois de 5; mas 6
näo € um quinto numero depois de 5 (€ o primeiro número
depois de 5). Logo, nâo anotamos 5 na coluna à esquerda de 6.
Finalmente, desde que 2 e 3 aparecem na coluna à esquerda de
6, eliminamos cada segunda razäo (6:2,6:4, e 6:6) e cada
terceira razäo (6:3 e 6:6) nesta linha. As razôes restantes (6:1 e
6:5) säo as razöes irredutiveis da sexta linha.
A descrigäo do procedimento poderia ser simplificada por
se falar em “mültiplos” (“eliminar todos os múltiplos de 2” em
vez de “eliminar cada segundo nümero depois de 2”).
Rejeitamos a descriçäo mais simples, porém, para sublinhar um
ponto muito importante: tanto o Crivo de Eratóstenes, quanto o
Crivo Duplo, näo dependem da multiplicaçäo. Basta contar.
Assim, é consonante com a hipótese de que era um método
conhecido muito cedo na história da matemática.
Voltando à Figura 2, vemos num relance que as razöes
correspondentes às concordâncias musicais aparecem todas na
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Voir dans le PDF(s’ouvre dans une nouvelle fenêtre)mesma diagonal, a diagonal em que n-m=1. Poderiamos dividir
a Figura 2 em classes diferentes, a p-ésima classe
correspondendo 4 p-ésima diagonal da Figura (descartamos a
diagonal em que n=m, pois esta näo tem interesse para o
problema proposto). Assim, n:m pertence à p-ésima classe se e
somente se n-m=p.
Notamos que em termos modernos, temos um resultado
muito interessante, pois temos uma partiçäo (definida como
uma colegäo de subconjuntos disjuntos cuja uniäo é o conjunto
original) das razôes e/ou das razôes primas entre si. De fato,
sejam R = {n:m/ n, meN com n>m} e RP = {n:m/ n, meN com
n>m € (n, m)=1}. Seja n:m~a:b quando n-m=a-b. Entäo ~ é uma
relaçäo de equivalência que gera as classes de equivaléncia
R, = {n:meR/ n-m=p} em R e RP, = {n:meRP/ n-m=p} em
RP. Em todos os dois casos, a partiçäo é infinita.
Voltando mais uma vez à Figura 2, vemos que só a
primeira classe (p=1), a classe contendo as concordäncias
musicais,
é composta exclusivamente de razôes irredutiveis.
Desta forma, esta classe se destaca como sendo de importância
especial. Quais säo os triângulos pitagóricos gerados pelos
valores de n e m desta classe? Sao, de fato, exatamente os
triângulos dados pela formula de Pitagoras, como podemos ver
na seguinte tabela:
n
m
terno gerado
2
3
1
2
(3, 4, 5)
(5, 12, 13)
5
6
7
8
9
10
11
4
5
6
7
8
9
10
(9, 40, 41)
(11, 60, 61)
(13, 84, 85)
(15 112, 113)
(17, 144, 145)
(19, 180, 181)
(21, 220,221)
4
3
(7, 24, 25)
Pitágoras, investigando estes triângulos, iria notar com
muita facilidade que o cateto masculino é a soma dos geradores
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Voir dans le PDF(s’ouvre dans une nouvelle fenêtre)ne m (2+1=3, 3+2=5, 4+3=7, etc.). Também teria notado que o
quadrado do cateto masculino é a soma do cateto feminino e a
hipotenusa (3°=4+5, 5°=12+13, 7°=24+25, etc). Mas, a
hipotenusa é um a mais do que o cateto feminino. Assim, temos
(n+m)? = 2xcateto feminino + 1. Lembrando que, nesta classe, n
e m säo inteiros consecutivos, temos que n=m+l. Logo,
(m+1+m)? = 2xcateto feminino + 1. Assim, o cateto feminino =
%[(2m+1)-1]}. A hipotenusa € um a mais, ou seja,
%[(2m+1)’+1]. Desta forma, o triängulo gerado é (2m+1,
%[(2m+1)?-1], %[(2m+1)’+1]). Na algebra retorica dos antigos,
isto seria “um numero impar, metade do seu quadrado
diminuido de um, metade do seu quadrado aumentado por
um”. Em notagào moderna, pondo k no lugar de 2m+1, temos
(k, %4(k?-1), 4(k?+1)) com a restriçäo de que k seja impar. Isto
é, claramente, a formula de Pitágoras. Em termos modernos,
corresponde a uma troca de variáveis.
Vemos, entäo, que uma investigaçäo dos triângulos
gerados pela fórmula babilônica, à luz de uma tentativa de
exibir sistematicamente os pares de geradores primos entre si,
leva-nos naturalmente à formula de Pitágoras. Ainda mais,
Marsilio Ficino, um dos mais importantes pitagóricos da
segunda metade do Século XV, denomina “numero nupcial” um
numero que é o produto de dois numeros consecutivos (ver
ALLEN, 1994). Näo se deve confundir esta definiçäo com o
“Numero Nupcial” do Livro VIII da Republica de Platäo. De
fato, Platäo näo usa esta designaçäo, mas se refere ao seu
numero com a frase “nümero geométrico”. Esta terminologia
deve ser uma recordaçäo de um termo técnico da matemática
pitagórica em que a razäo da forma k+1:k seria uma “razäo
nupcial”. Evidentemente, o nome advém do fato de que k+1:k é
ou masculino (impar):feminino (par) ou feminino:masculino.
Nao sabemos se o nome antecede a descoberta da formula de
Pitagoras ou se é conseqüência desta descoberta, mas, em
qualquer caso, é apropriado pelos geradores dos triangulos da
5 Note-se que a linguagem é ambigua (embora o seu significado fosse
facilmente entendido pelos matemáticos) e é similar 4 linguagem de Platäo na
sua descrigäo do “Numero Nupcial” no Livro VIII da Republica.
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Voir dans le PDF(s’ouvre dans une nouvelle fenêtre)primeira classe, pois eles, contendo as concordâncias musicais,
provavelmente foram usados pelos pitagóricos na sua
cosmogonia.
Da nossa observaçäo anterior de que a formula de Platäo
€ o caso especial da formula babilönica com m=1, é öbvio que
os geradores dos triângulos dados pela formula de Platäo säo os
da primeira coluna de Figura 2. De fato, descartando o caso nao
interessante de n=m, a primeira coluna é a unica coluna que
contém somente razöes primas entre si. Podemos, inclusive,
definir uma nova partiçäo das nossas razôes através desta
observaçäo. Assim, sejam R = {n:m/ n, meN com n>m} e RP =
{n:m/ n, meN com n>m e (n,m)=1}. Seja n:m~a:b quando
m=b. Entäo ~ é uma relaçäo de equivaléncia que gera as classes
de equivalência R, = {n:meR/ m=q} em R e RP, = {n:meRP/
m=q} em RP. De novo, a partigäo € infinita, mas as classes de
equivalência, em vez de ser as diagonais da Figura 2, seräo as
colunas desta Figura. A formula de Platäo corresponde a
primeira classe, RP,, desta nova partiçäo.
De novo, a formula de Platäo é uma conseqüência natural
8
T
terno gerado
eee
1
2
3
(4, 3, 5)
(6, 8, 10)
(8, 15, 17)
5
6
7
8
9
10
(12, 35, 37)
(14, 48, 50)
(16, 63, 65)
(18, 80, 82)
(20, 99, 101)
(22, 120, 122)
4
—=
mo.
ee
ee
= POO
INN BR & D 5
©
desta partiçäo, como a seguinte tabela indica:
(10, 24, 26)
Da tabela, é claro que o primeiro cateto é duas vezes n e
que o segundo cateto e a hipotenusa sao, respectivamente, o
predecessor e sucessor de n° (3, 2°, 5; 8, 37, 10; 15, 4, 17; etc.).
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Voir dans le PDF(s’ouvre dans une nouvelle fenêtre)Conseqüentemente, o segundo cateto é n-lea hipotenusa €
n°+1, o que nos dä a formula de Platäo: (2n, n°-1, n°+1).
Curiosamente, é muito fácil reinterpretar a förmula de
Platäo em termos de pares nupciais. Basta colocar r=n-m. Para a
primeira classe, m=1; logo, r=n-1 e n:r = n:n-1, a razäo nupcial.
A formula para os ternos usando os geradores nupciais n e r é
{ntr+1, (n+1)r, (n+1)r + 2). Naturalmente, essa formula se
reduz à formula de Platào quando substituimos n-1 por r.
O que teria levado Platào a abandonar a fórmula de
Pitágoras? Na exibigäo sistematica das razöes n:m, com n>m
(Figura 2), há dois conjuntos de destaque: a primeira diagonal e
a primeira coluna, pois estes dois conjuntos contém somente
razöes primas entre si. Vimos que Pitagoras provavelmente
optou pela primeira diagonal, contendo os geradores nupciais,
porque contém as consonâncias musicais e, portanto, os
triângulos resultantes seriam os mais apropriados para a
construgäo do universo. Na cosmogonia platônica, porém, era
necessário contemplar os 28 números da alma do mundo (ver
Timeo, 35-36) e, portanto, Platäo estaria a procura de triângulos
em que estes números aparecessem. Numa interpretagäo, seria
necessário multiplicar estes números por 384 para eliminar os
valores fracionários. Desta forma, 25 dos números da alma do
mundo seriam pares. Mas, nenhum destes 25 tem a forma '4(k’1) e, portanto, nenhuns destes valores aparecem no cateto
feminino de um triângulo pitagórico gerado pela férmula de
Pitágoras. Ainda mais, os três números ímpares da alma do
mundo näo tém a forma '4(k’+1) e, portanto, näo podem
aparecer na hipotenusa. Desta forma, a fórmula de Pitágoras só
gera três triângulos contendo números da alma do mundo, —
cada um dos três números impares aparece como o cateto
masculino de um triângulo gerado por esta formula. Mas, este
resultado é demasiadamente pobre para os seus propósitos
cosmogônicos. Em contraste, todos os 25 números pares da
alma do mundo aparecem em triângulos dados pela fórmula de
Platäo.
Notamos ainda, que os triângulos gerados pela Fórmula
de Pitágoras exibem a relagäo nupcial de duas formas: a razäo
hipotenusa : cateto feminino é sempre a razäo nupcial n+l:n e
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Voir dans le PDF(s’ouvre dans une nouvelle fenêtre)os seus perimetros säo sempre da forma n(n+1), ou seja, um
numero nupcial no sentido de Ficino. Os perimetros dos
triângulos gerados pela Formula de Platäo säo sempre o dobro
de um numero nupcial, ou seja, 2n(n+1), fato que poderia ter
sido relacionado coma teoria platônica de tempo ciclico.
Abstract
In Ancient Greek mathematics, there were two well
known formulas for generating Pythagorean triangles, one
attributed to Pythagoras and the other attributed to Plato.
In the present paper, we will analyze these two formulas
from the point of view of rhetorical algebra, show how
they might have been derived from the Babylonian
formula for obtaining Pythagorean triangles, and suggest
some reasons for which the Pythagoreans and Platonists
might have found their respective sequences of triangles
interesting. In a separate paper, we will analyze these two
formulas from the viewpoint of the Pythagorean technique
of finding the differences of differences.
Referéncias
ALLEN, Michael J. B. Nuptial Arithmetic: Marsilio Ficinio’s
Commentary on the Fatal Number in Book VIII of Plato’s
Republic. Berkeley: University of California Press, 1994.
ERICKSON, Glenn W., e John A. FOSSA. Estudos Sobre o
Numero Nupcial. Rio Claro: SBHMat, 2001.
FOSSA, John A. e Glenn W. ERICKSON. “Uma Heuristica
Platônica para Ternos Pitagóricos”. Principios 4 (5):147-
158, 1997.
HEATH, Thomas L. A History of Greek Mathematics. New
York: Dover, 1981.
Principios
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