Sobre Pitagoras e pitagoricos

Autor
Vianna, S.B.
Publicado en
Kriterion
Año
1973
Tema
PYTHAGORAS
Idioma
Español
Categoría
C7 Filosofía
Número de archivo
931

Abrir PDF(se abre en una ventana nueva)

Mostrar texto completo12 páginas

Página 1

Ver en el PDF(se abre en una ventana nueva)
REVISTA DE FILOSOFIA E CIENCIAS HUMANAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS AS \ Ca VAANNA, SR. (ans AT Sobre Pitágoras e pitagóricos Sylvio Barata Vianna “Pharamond fut le premier roi de France. west pas très sûr qu’il ait existé, On Qoi qu'il en soit, son fils Chilpéric lui succéda...” [= que se lè, talvez, num antigo manual — comenta Abel Rey — poder-se-ia dizer de Pitägoras e dos pitagöricos.! Na verdade, varias circunstâncias determinaram denso véu de mistério em torno da figura de Pitagoras, mistério que se estendeu a seus discipulos, notadamente, os imediatos. Tao misteriosa se tornou a figura de Pitagoras, que chegaram alguns autores a duvidar — como duvidosa se apresenta a pessoa de Faramond no trecho transcrito — de sua existéncia fisica. Mas esta é fartamente comprovada por varios testemunhos, conforme veremos, dentre os quais, Heräclito de Éfeso, Heródoto de Halicarnasso, Platáo e Aristóteles. Dentre os motivos que contribuíram para o grande mistério em torno de Pitágoras, foi, talvez, o mais poderoso a limitacáo das doutrinas professadas pelo mestre e, provavel1. ABEL REY, La jeunesse de la science grecque. Paris, 1933, p. 103. Albin Michel,

Página 2

Ver en el PDF(se abre en una ventana nueva)
XA eG Ce a en SOBRE PITÄGORAS E PITAGÖRICOS 3 mente, pelos seus primeiros discipulos, à palavra oral. Ver- Parece-nos oportuno observar que essa circunstància — dade é que escritos ha atribuidos a Pitagoras, dentre os quais, limitacäo à palavra oral — também adotada por Sócrates, os famosos Versos de ouro, mas que, realmente, resultaram — fez, deste, outro grande enigma da histöria da filosofia grega. conforme expressäo de Léon Robin — de “grosseira compilagäo do sec. III ou IV da nossa era” .2 No discutido trabalho sobre as Vidas, doutrinas e sentenças dos filösofos ilustres (VIII, 67), diz Diögenes Laércio que escreveu Pitagoras trés livros sobre a educacäo, o estadista e a natureza, mas isto é recebido com toda incredulidade pela maioria dos historiadores, acreditando estes que tenham sido essas obras produzidas no see. II ou I a. C. E mais interessante 6 lembrar que, embora nao possa nenhum historiador do pensamento filosöfico da Grécia apresentar um perfil trangüilo de Pitägoras nem de Söcrates, também nao pode ignorar que tiveram ambos influéncia decisiva sobre toda a filosofia postreior do Ocidente, o que se afigura, 4 primeira vista, paradoxal. Referindo-se a Söcrates, escreve Brunschvicg que se observa esse paradoxo na origem de quase todo grande movimento de idéias: sabe-se suficientemente para afirmar-se que tal movimento se deve 4 iniciativa e 4 ascendéncia de de- Dos poucos autores contemporäneos que acreditam ter Piterminada personalidade; mas nado se sabe bastante para se tagoras escrito, lembramos Gigon, para quem os pitagöricos extirparem, dessa personalidade, os pontos obscuros, as conde orientacäo mais avancada e que, ao mesmo tempo, respeitradicóes e as lendas.* Como no caso de Sócrates, no qual nao tavam a memoria do velho mestre, vendo, em seus trabalhos, se pode distinguir precisamente o que foi professado por ele e sérias dissonâncias com o progresso alcancado pela Filosofia por Platäo, nao & possivel separar, no caso de Pitágoras, suas da Natureza, tudo fizeram para negar-Ihe, dos mesmos, autoria.? doutrinas das de seus discipulos, notadamente os imediatos. Certo nos parece entretanto o ponto de vista da maioria dos Outra circunstancia que contribuiu seriamente para o granhistoriadores que negam a existéncia de qualquer escrito de de mistério em torno de Pitägoras: a lenda que o cercou ainda origem pitagórica, confirmando o que, a respeito, ja dissera vivo, tendo-se mesmo tornado ele um herói lendärio. E tudo Jämblico (c. 250-330), filósofo neoplatönico, discípulo de Pornos faz acreditar que o proprio Pitagoras contribuia para isto. firio (232-304), em sua Vida pitagörica, que “... jamais se Refere-se Herödoto de Halicarnasso, historiador grego do séc. encontrou qualquer nota pitagörica antes do tempo de Fi- V a. C., a uma histöria que vincula Pitägoras com Zalmöxis, lolau...”, este, famoso representante do pitagorismo e que figura mitica da Trácia.5 E num de seus trabalhos exotéricos floresceu na segunda metade do séc. V a. C., mais de cin- Sobre os pitagóricos, fala Aristóteles da divisäo “altamente qüenta anos apös a morte de Pitägoras. secreta” dos seres humanos em trés classes: deuses, homens e seres como Pitagoras. Escreve mais o estagirita, no mesmo trabalho, que Pitagoras, filho de Apolo ou de Hermes, desceu aos infernos e de la retornou; que tinha ele uma coxa de ouro, possuia o dom da ubiqüidade e era autor de profecias... E foi a lenda acatada por varios discipulos de Aristöteles, como Ora, näo nos tendo chegado palavras de sua autoria, haveremos, para reconstituir sua personalidade bem como suas doutrinas, de recorrer a fontes intermediärias, muitas vezes, longe de serem concordantes. 2. LEON ROBIN, La pensée grecque et les origines de Vesprit scientifique. Ed. Albin Michel, Paris, 1932, p. 60. 3. OLOF GIGON, Los origenes de la 4. filosofia griega, de Parménides. Trad. de M.C. Gütiez. Gredos, Madrid, 1971, p. Hesfodo 137. a LÉON BRUNSCHVICG, Le progrès de la conscience dans la philosophie P.U.F., Paris, 1953, vol. I, p. 4. occidentale. HERÓDOTO, Histórias, IV, 94.

Página 3

Ver en el PDF(se abre en una ventana nueva)
SOBRE PITÁGORAS E PITAGÓRICOS 5 Clearco, Aristöxeno e outros, além de Heräclides Pôntico, fanoviciado, o período de cinco anos de siléncio. Querem alguns moso representante da Academia e contemporaneo do estahistoriadores que se limitasse esse siléncio ás atividades de girita .® natureza mistica. Mas fala-nos o mesmo Jámblico, no mencitada cionado trabalho, que um dos mais famosos representantes (VIII, 3), que “ se iniciou em todos os mistérios e ritos, nao santuarios egipcios onde obteve o saber secreto concernente da ordem, Hípaso de Metaponto, teve a leviandade de náo só revelar a estranhos uma descoberta de Pitágoras — a qual, de acordo com o severo regulamento da Escola, podia ser discutida apenas entre mestre e discípulos — como de atriaos deuses...” buir-se aquela descoberta, De Pitägoras, escreve Diögenes Laércio, na obra sò da Grécia como de paises estrangeiros... Em Creta, desceu ele ao antro de Ida com Epiménides; 7 também entrou nos Refere-se Arthur Versiani Velloso a Pitagoras como “magico ou bruxo-mor” a quem se vinculavam pitagöricos, pitago- E como punigäo, teriam os confrades de Hipaso afogado-o ou alijado-o da ordem ou construido um túmulo com seu nome, apesar de vivo ainda. reanos e pitagoristas, aprendendo, gradativamente, “uma cién- Lendária que seja a história, tem ela certamente seu fundo de cia misteriosa, hermetica, sibilina e esoterica, que tinha da verdade. Donde parece sensato concluir-se que a discussáo das doutrinas pitagóricas, fossem místicas ou científicas, deveria limitar-se ac ámbito da ordem. Aliás, escreve Porfírio magia e do baixo espiritismo dos cultos órficos e asiäticos” .® Por estes e outros motivos, escreve Francois Millepierres que, “para dizer-se a verdade, ainda vivo, ja passara Pitagoras para a lenda. Nao podemos proceder, relativamente a ele, de acordo com os métodos rigorosos da pesquisa histöem sua Vida de Pitágoras: “O que dizia ele a seus íntimos ninguém pode saber com certeza, pois mantinham siléncio impressionante”. E fácil entáo imaginar a vastidäo de assunrica. Por muito que remontassemos as fontes de informacöes, tos que levaram para seus túmulos os representantes da Pitagoras, sem se integrar, como Orfeu, no mito puro, apre- Escola. senta-se-nos como um ser sobrenatural”.? Embora postas em dúvida, por grandes historiadores da filosofia grega, as viagens de Pitagoras ao Oriente, as noticias a respeito säo muito insistentes. E as atitudes acentuadamente místicas dos pitagóricos fazem-nos lembrar práticas ou hábitos orientais orignariamente estranhos à tradicáo grega. Sabemos, p. ex., que, dentre os hindus, os egípcios e outros povos do Oriente, havia séria preocupacäo no sentido de manter-se o alto saber, que era um saber sagrado, como privilégio da casta sacerdotal. Daí, o siléncio imposto aos intelectualmente privilegiados, isto é, aos que mereciam, pelos seus dotes mentais, receber aquela elevada sabedoria. Sabe-se que, mesmo depois de introduzida a escrita na India, foram os Vedas, livros do saber sagrado hindu, transmitidos durante séculos, de geracáo a geracäo, através da palavra oral, sendo Mais outro motivo determinante do mistério em torno de Pitagoras e seus discipulos imediatos: o siléncio imposto pelo mestre a seus sequazes. Sabe-se que fundou Pitagoras em Crétona, na Italia Meridional, uma ordem mistica onde, evidentemente, eram discutidas as doutrinas da Escola. Informanos o referido Jamblico, em sua obra citada, que haviam os candidatos, ao ingresso na ordem, de observar, como parte do 6. L£ON ROBIN, op. cit., p. 59. 7. Epiménides de Creta, contemporáneo dos Sete Sábios da Grécia — ás vezes, considerado um deles — está, como Pitágiras, relacionado com histórias fantásticas. 8. ARTHUR VERSIANI VELLOSO, Agir, Belo Horizonte, 1947, p. 9. Introduçäo à História da Filosofia. 98. FRANCOIS MILLEPIERRES, Pythagora, fils d'Apollon. Gallimard, Paris, dotados os seus transmissores do mais elevado gabarito inte-

Página 4

Ver en el PDF(se abre en una ventana nueva)
“Como lider religioso a época em ue e, ao mesmo t e empo, genio ci ’ = ignorado por ninguém", 2 SOBRE PITAGORAS E PITAGORICOS 9 encontramos em Parménides de Eléia, fundador de fato da erado ente atacado por outros, mas Escola Eleata e marco decisivo na histöria da filosofia grega em particular, e ocidental em geral: grande helenista que &, Cornford considera-o auténtico produto (off-shoot) do pitagorismo. E acredita o mesmo autor haver Platao encontrado, na filosofia itálica, sua principal fonte de inspiracao.! E nao sabe Bertrand Russell de outro homem que haja tido tamanha influéncia no ämbito do pensamento, justificando-se: “Digo isto porquanto o que se afigure como platonismo é, desde que analisado, pitagorismo na esséncia”.1% E apesar da severa crítica promovida em vários trechos de sua obra, contra os pitagóricos, manifestou Aristóteles visivel influéncia do pitagorismo. Exemplo se encontra — como observa Burnet — ricos” où co m os “itáliic os” 0rn dificuldade em dist do de seus disc ipulos. = Apesar de tant ivi as dúvida s a j inguir as ia respeito de Pitá gora s — Ca i na “teoria das très vidas”, atribuida por Heráclides Póntico a Pitágoras, a qual, além de adotada pelo estagirita,'* inspirou-o na classificacäo das ciéncias em práticas, poéticas e teóricas.!” A “teoria das trés vidas” foi exposta por Heráclides num de seus trabalhos que se perderam, mas que chegou a ser lido por Cícero e Diógenes Laércio, tendo-nos entáo estes podido transmiti-la. Conforme escreveu o grande tribuno romano, reproduzindo o que expusera Heráclides, estivera Pitágoras em Flionte, situada no Peloponeso e onde pronunciara ele para Leo, príncipe da Cidade, sábios discursos sobre assuntos diversos. Maravilhado com o alto saber de Pitágoras e com sua elogiiéncia, perguntou-lhe Leo de que ciéncia fazia ele particularmente profissio. Respondeu-lhe Pitágoras que náo tinha ele nenhuma ciéncia, mas que era filósofo. Surpreendido com o neologismo, indagou-lhe o principe a respeito dos filósofos: quais eram? em que se distinguiam dos outros 12. F.M. CORNFORD, From Religion to Philosophy. H. & Brothers, New York, 1957, p. 194, +2: W.K.O. 13. GUTHRIE, A Press, Cambridge, 1967, vol. History of Gre 1, p. 181, ek Philosophy, BERTRAND RUSSELL, A History of Western Philosophy, S. and Schuster, New York, 1945, p. 37. University 14. ARISTÓTELES, Etica de Nicómaco. I, 5, 1095 b, 13-1096a 4. ARISTOTELES, Metafisica, VI, I, 1025b 26.

Página 5

Ver en el PDF(se abre en una ventana nueva)
lectual. Também no Egito, onde parece ter estado Pitagoras, era o alto saber monopolizado pela casta sacerdotal. Parece entáo ter sido O mestre influenciado por essa praxe encontradiça no Oriente quando impôs, aos sectär ios de sua ordem, o mais rigoroso siléncio. Queremos finalmente referir-nos a outra circunstància que aumenta o mistério em torno de Pitägoras: 7 SOBRE PITAGORAS E PITAGORICOS Acata Gigon a acusagäo de Heräclito, contida no fragm. D. 129, considerando-a confirmada por Herödoto num trecho de suas Historias (II, 123), onde se refere este a gregos que adotaram a doutrina da metempsicose como se fosse de sua autoria, mas que, na verdade, era originariamente egipcia.1° Entretanto, Burnet, Stain e outros, grandes conhecedoha informagöes res da lingua grega, analisando esse trecho das Hisiörias de contraditörias a respeito de sua honestidade intelect ual. Com efeito, Heräclito de Efeso, outro famoso filésof o grego présocrätico, contemporäneo de Pitägoras, embora de geracao Herödoto, nao admitem que esteja o historiador se referindo posterior, a ele se refere de modo bastan te depreciativo: a personalidade do passado — como seria o caso de Pitägoras relativamente àquele autor — sim, a contemporáneos seus. Acreditam Burnet e Stain — que também säo grandes conhecedores da filosofia grega pré-socratica — que esteja Herödoto “Aprender muito té-la-iam nfo enriquece enriquecido Hesiodo fanes e Hecateu”. (fragm D. a e inteligéncia; Pitágoras, caso assim conträrio, como Xenó- 40) se referindo a Empédocles, contemporaneo seu e que realmente professou, como Pitàgoras, a doutrina da metempsicose. Além disto, refere-se Herödoto a Pitagoras, noutro trecho das mes- Outra do mesmo filösofo: mas Histörias (IV, 95), como “um dos näo menores säbios dentre os gregos...” “Pitágoras, filho de Mnesarco, levou as pesquisas mais longe do que os demais homens, e, fazendo uma selegäo desses escritos, reivindicou, como sabedoria pröpria, o que nada mais era do que conhecimento de muitas coisas, uma arte de embuste”. (fragm. D. 129) Ora, de Empédocies de Agrigento, mais outro famoso pensador pré-socratico, que floresceu, aproximadamente, no ano de 444, portanto, de geracio muito posterior à de Pitagora s, mas certamente entrosado no pitagorismo, constando mesmo ter sido, ele proprio, representante do movimento pitagörico, chegaram-nos as palavras depois transcritas. Apesar de nao se referirem estas, expressamente, ao velho mestre, a ele — é a opiniäo de grandes intérpretes — devem reportar-se: “E dentre aqueles homens raro saber, (os da idade de ouro), havia um de versado ao mäximo em toda sorte de obras sábias, agio da maior riqueza de conhecimentos. ..” (parte do fragm. . 129) A respeito, náo pode o testemunho de Heráclito ser levado muito a sério, pois foi o efesino irremediävel misantropo, verificando-se, através de suas sentencas que nos chegaram, que rarissimos homens mereceram seus elogios. Alias, no proprio fragm. D. 40 de Heraclito e que transcrevemos, observa-se sua critica impiedosa a pensadores que foram, ao lado de Pitagoras, grandes expressöes da cultura grega. E apesar da diserepäncia entre a referência de Heráclito e a de Empédocles a Pitagoras, verifica-se, nos dois fragmentos, essa concordäncia: que foi o velho mestre homem de raro saber. Mas näo foi sö Heräclito, com sua irremediävel misantropia, que se insurgiu decididamente contra Pitagoras: conta-se este dentre os mais famosos génios que despertaram, ou muita simpatia, ou ódio intenso. A propósito, escreve Guthrie: OLOF GIGON, op. cit., p. 138.

Página 6

Ver en el PDF(se abre en una ventana nueva)
homens? Explicou-lhe entào Pitagoras que se lhe aparentava a vida humana como um desses grandes mercad os que se organizavam por ocasiäo dos jogos e onde a Grécia em peso se reunia: uns ai vinham para conqui star a gloria e con- Seguir o prémio merecido pelos seus corpos de atletas; outros lá eram Jevados pela ambicäo do lucro que contavam apurar nas compras e vendas; mas ali se encontravam também homens de outra classe — os mais nobres — atraidos unicamente pelo desejo de ver, de observar desinteressadament e o que la se fazia e como as coisas se passavam. Assim como deixamos uma cidade para penetrar num mercado concorrido, saimos de uma vida anterior e nos despojamos de nossa forma antiga para entrar nesta vida presente: outros, no dinheiro; um uns só pensam na gloria; número muito restrito, nada mais levando em conta, dedica-se com ardor à consideracäo da natureza; dizem-se estes amigos da sabedo ria, isto &, filösofos, e, como num mercado, a atitude mais digna do homem livre é a de um espectador que nenhum proveito procure para si mesmo, a contemplacäo e o conhecimento arreb atam-no mais do que qualquer outra ambicño.15 Por sua vez, reportando-se 4 mesma histór ia exposta por Heráclides, escreveu Diógenes Laércio (1, 12) que tería dito mais Pitágoras para Leo: “nenhum home m é sábio, somente Deus.” Isto é, a sabedoria só convinha a Deus. poderia pretender o homem, na sua peque nez, era ser amigo da Sabedoria, isto &, filösofo. E interessante observar O máximo que que, também Platào, adotou a trecho de seu Fedro (278d), onde diz Söcrates ao personagem que da nome ao diélogo: “A palavra säbio, Fedro, parece-me demasiadamente sublime, só convindo a Deus; a expressäo amig o da sabedoria (filösofo) ou outra semelhante ser-Ihe-ia mais conveniente e adequada 16. Cicero, Tusculanas, V, 3. ifica por Cicero € Diógenes: Laércio, ver AA tivamente a Pitágoras e gi termo filòósofo, o a 1. Foi ele o inventor dofüo verdade, ee — eg ar. Na sofar. ilosof | cognatos Fili osof iai e a documento anterisenorgaa dedatqua a aes nenhum áne iquer dessas nal o seu, & pre e mesmo contempor amos, en tahas A para Pitágoras, umaconsi 2. Era a Filosofia, val te pl ada e dizer, teörica, palavras. os mais a inuta de homensse,n as ea beclamsseposdim nn t nao te, men ior ter DE a e a ps as, como eas a A ricas maisetcele. vad a ilosofia dateöNat r ocupava-s isem za, Preras es x humanos, ure m a sat "e undo Pitágo sem, co oe y ns scotia, seg e lucros r e > ou a gloria egoouista icopros,jegfosäo do pro Pe ps prio no n desinteressada, o . recompensa do mesmo genero 3. Professava Pitágoras A o >=ee en . s ado dot es ser uer isq qua h h s p s no , n e bre ARTES e vegetais. E o que verificamos he> a procedente de Empédocles de Agrigen iE = n e representou 0 movimento pitagorico, P com kia arbusto e um um a, moc uma e o moc sos4sgaroe, esuma SS . peixe mudo no mar.” (fragm 2 como mesma atitude, conforme se vé num & sua pequenez,” 11 SOBRE PITÄGORAS E PITAGÖRICOS ida , reproduzhe clidesA A or Herca p a tad con ri a istö tor his na os ead Bas «Porque fui, outrora, 17) moso vigile nio, tambémágofaras nes de Colofôane mas, p temporao de Pit pré-socrático, s de algumas avé o posterior, estemunhara, atr i mente, de geracä na. Quando pasg na doutri s tre a ” : Já Xenófa palavras, a crenca E pe ce l l, na sava este por cer to loca conta Xenófanes — teria ele exclamado ava um cao

Página 7

Ver en el PDF(se abre en una ventana nueva)
“Parai! Náo batei! : E a alma tom de sua voz." | fragm. D la amigo. Reconheci-a pelo O mado satiri atirico Xenöfanes di-no que se pronuncia ni tal que nia = a entender ui via sa doutrina tradicionalmente sul severamente 17 r : a à +s gi = sua vez, viria Aristóteles a critic4-la Mica: teria Pitigoras recebid = a famosa doutri na? Variam ma coisa é certa: a informan os referimos, de que a teriam . oe consideravel mente. cao de Heródoto, à qual ja SA de que foi ela profe hindus, ve tàgoras re Ps de havé-la et; = | de es da Pérsia. Robustecida se coreani com o historiador alemäo » a que, quando fato deJónia, antiga parte 4gb Pitágoras em Samos gina da India,bani mesmo sob g be r do império le, eefundadocomo vigio i doutrina perl. ay 0 fundou Pitágoras sua en Po ios do ort ‘ órficos, isto &, partidárpartir mo, seita religiosa pelosse expandiu do =4 a Grécia DiziamqueossurLei"ia que fora anaseita VI a.C.mítico cantor fundada por os, século. Pedelinavers di na literatura e na arte gregas da En aemo bem alma da a divin m orige en co à eles se da mo e co nidad 2nesindig Tal a. ren ter r l o nd mu te os 6rficos — resulta er humano da juncáo deedoissega princípios díspares: a al pa paturesa divina e ‚ © O corpo, elemento grosseiro que como sua prisä sao ou túmul 0 EX) 4 [4 B cottons ável eé que tenham os - Bemdosprov órfico : a doutrina recebido agoricos òr pitag 8, 17. 18, John ARISTÔTELES, Da alm a, I, 3, 407 b, 22-26 TEODO.R GOMPERZ, The Greek Thinkers. 13 SOBRE PITAGORAS E PITAGORICOS rina da meAcha Gomperz que se possa resdaumidar aalmdout a pelo pecado.” tempsicose nessa expressio: “a asquealmas, outrora, ao lado dos De origem celestial, viviam noss eitas. Mas cometeram deuses, conhecendo as realidades aperf natureza dessa falta, nao elas uma falta. Qual tenha sido eles tempos. Por castigo, ha esclarecimento na literatura daqu num corpo terreno, decaindo. houve cada alma de encerrar-se ou túmulo da alma. Funciona pois © corpo como prisio dout rina estreitamente a Dentre os órficos, encontrava-seo com de Dioniso vinculada a certo mito, conhecid éfonoa, “oao mito , ainda meZagreu”, este, filho, de Zeus e Persério do munqual Perseguido do. imp nino, confiara o pai celestial onga par através de diversas pelos Titans, conseguiu a cria escafor de touro, foi apametamorfoses, até que, assumindo aa redumazira a pedacos por nhada pelos seus perseguidores que que, salvo mpor a, foi eles devorados, exceto o coracio , criar “o novoAten Dioniso”. dele levado a Zeus, que o comeu para,Zeus zindoredu , raio com um Punindo os Titans, fulminou-os as, nasceu a raga humana os a cinzas. Precisamente dessas cinz principios contrarios: © que, consegiientemente, contém dois tado pelo corpo; € 0 titanico, indigno, desprezivel, represenos Titans devorado um principio dionisiaco, nobre — haviam pela alma. Assim se deus, que era Dioniso — representadoana, ou seja, a contraexplica a duplicidade da natureza hum por um s6 individuo. adas dicäo de condutas, mas e boas, adot s, foì decìdidamente A respeito, escreve Platäo que, como vimo proinfluenciado pelos pitagéricos — tendo estes tamilobém400-c), (Crät fessado a doutrina — num de seus diálogos corp o) e sema jogando com as palavras soma (sua = (oñua = sinal e túmulo): o túmulo (sema) da alma, “Dizém uns que o corpo ($0 ma) 6 durante esta vida. Como, porque se encontra ela nele 8epultada ma exprime o que queiri al a que lado, & por meio dele por outro to, convém-Ihe a ela dizer, fala-se que, também sob este aspec s verossimel € terem ce mai palavra sinal (sema). O que me pare

Página 8

Ver en el PDF(se abre en una ventana nueva)
sido os Órficos que apresentaram esse termo com o propósito de dizer que a alma expia as faltas por que é punida, e que estä encerrada num corpo, como se estivesse numa prisäo..." E de Empédocles, chegaram-nos esses fragmentos: “Chorei e familiar". para lamentei quando vi essa regiäo que nfo me era “De quantas honras, de que altura de felicidade caf errar caverna...“ nesta terra “Ai de ti, dentre os miserável mortais!" raga de "Estamos mortais, duas nesta vezes amaldigoada: de quantas lutas e de quantos gemidos nasceste!" “(A divindade) de carne". revestiu (fragm. D. (as almas) com estranho invólucro 118/120, 124 e 126) Quer isto dizer que, para os sectários da doutrina, a mais nobre atitude do homem era promover a cisäo dos laços que prendem a alma ao corpo, Näo poderia ocorrer tal cisäo por meio violento como o suicidio, pois, pertencendo nés aos deuses, a estes unicamente competia decidir de nossa vida. Adotar aquele meio violento seria praticar, pois, um ato de impiedade. È o que diz Sócrates, no diálogo platónico Fédon (62b), a dois interlocutores pitagóricos: - nés, podemos homens, escapar estamos numa nem fugir... espécie de 0s deuses posto, velam de que näo por nós, que constituimos uma de suas propriedades...” Como livrar-se entáo o homem desse mau companheiro que è o corpo? Pela purificacio (#0agox). Dentre os érticos, assumia ela caráter ritual. Entre os pitagóricos, realizava-se mediante a observáncia de principios morais e, principalmente, pela pesquisa intelectual desinteressada. Quanto ao aspecto moral da purificacäo dentre os pitagóricos, havia cada membro da comunidade de propor-se, no fim do dia, trés questöes , bem como respondé-las: “Que fiz de bom?” “Em que falhei?” “No que falhei, que deixei de fazer?” Além disto, observavam os pitagóricos numerosos preceitos, muitos dos quais soam táo estranhamente, que vários historiadores consideram-nos resultantes da sobrevivéncia de tabus primitivos. Exemplos: “Náo SOBRE PITÁGORAS E PITAGÓRICOS 15 atigar o fogo com a espada.” “Náo passar por cima da balanga.” “Náo se assentar sobre um alqueire.” “Nao comer coracäo.” Autores hä entretanto, como Diögenes Laércio (VII, 18), que, considerando o hermetismo da ordem pitagsrica, interpretam-nos simbolicamente. Assim é que, pela primeira sentenga transcrita, deve-se entender: nao provocar a ira dos poderosos. Pela segunda: nao ultrapassar os limites da egüidade e da justica. Pela terceira: näo se contentar com o que se tem agora, ou seja, pensar no futuro (era o alqueire considerado, entre 03 gregos, a medida correspondente a uma racäo). Finalmente, a quarta: näo consumir a propria alma com tormentos e paixöes. A mais elevada forma de purificacäo dentre os pitagóricos ocorria, entretanto, como dissemos, através do cultivo do alto saber, que incluia náo só a Filosofia (no sentido restrito que hoje atribuimos 4 palavra), como as ciéncias teóricas entáo existentes, notadamente as matemáticas. Com a morte do corpo, se tivesse o individuo seguido aquela vida austera que incluia as purificacöes, estaria sua alma desvinculada dos lacos materiais, livre da cadeia de nascimentos e mortes, apta a voltar à situacäo celestial em que se encontrara, Caso contrário, haveria ela de peregrinar neste mundo, deste para aquele corpo, que podia ser, como vimos, de animal inferior e, mesmo, de planta, cumprindo assim o ciclo das purificacóes. È o que verificamos através do fragmento D. 117, que já transcrevemos, de Empédocles de Agrigento. É o que se chama “ciclo de nascimentos e mortes” de que devia procurar livrar-se o homem digno. Conseguia tal liberacáo o verdadeiro filósofo, pois consistia o filosofar na superacäo, por parte da alma, das solicitacdes corporais. É o que diz Sócrates no mencionado diálogo platönico Fédon (64e - 65a): “Parece-te portanto que as preocupagdes de tal homem (isto €, do filósofo) nño dizem respeito ao corpo, mas, ao contrário, e na medida do possivel, dele se afastam, voltando-se para a alma?...”

Página 9

Ver en el PDF(se abre en una ventana nueva)
"Eis entäo esse primeiro ponto que estabelecemos: nas circunstáncias de que acabamos de falar, näo se verifica que procura o filósofo, tanto quanto pode e diversamente dos demais homens, desvincular sua alma do corpo?...” Vejamos o que nos é possível falar, pelo menos aproximadamente, do próprio Pitágoras, sem esquecer a adverténcia de Millepierres de que — considerado o denso véu de mistério em torno da pessoa do velho mestre — náo podemos proceder, a seu respeito, conforme os métodos rigorosos da pesquisa histórica. Embora considerado tradicionalmente oriundo de Samos, é prudente dizer apenas — como faz Burnet — que viveu Pitágoras seus primeiros anos naquela Cidade, pois autores houve que o consideraram procedente de outros locais. Conforme Heráclito e Heródoto, era filho de Mnesarco, gravador. Apolodoro, o cronologista, situa seu akmé, isto é, seus quarenta anos ou apogeu lá pelo ano de 532/1 a.C., era da tirania de Polícrates de Samos. Faz-nos tudo acreditar que, desde muito jovem, foi dotado de singular voracidade pelo saber. Diz-nos Diógenes Laércio (VIII, 2) que, com recomendacäo de Zoilus, tio de Pitágoras, tornon-se este discípulo de Ferecides de Siros, personagem muito discutida, misto de poeta e filósofo, relacionado com os Sete Sábios da Grécia, autor de famosa cosmogonia e considerado por Cícero o primeiro grego a admitir a imortalidade da alma.TM Morto Ferecides, teria voltado Pitàgoras a Samos e se tornado discípulo de um tal Hermodamas. 2 Depois, teria visitado vârios paises orientais, dentre eles o Egito onde, munido de uma carta de apresentacäo de Policrates, dirigida a Amásis, entäo, faraó egipcio, pode penetrar nos santuärios daquele pais, assenhoreando-se do saber sagrado concernente aos deuses, Muitos historiadores, como Joseph Fabre, acatam essa história, nela encontrando explicacäo para o misticismo pitagórico, que viria a medrar na Grécia, onde o génio 19, Cicero, op. cit., I, 16, 20. DIÓGENES LAfrcIO, op. cit,, VIII, 2. 17 SOBRE PITÁGORAS E PITAGÓRICOS exótica do Oriente.*% = era livre, como se fosse uma planta talve z, depois de ter heu senhor de vasta bagagem cultural0 e,propösito de mee oe tado outros paises orientais com de la fun a = Pitagoras voltado a Samos com 0 objetivossiv foi impo el a re izacá sociedade mistico-cientifica. Mas la & merce da ss de seu intento por se encontrar aque CidadeMeri dional, er de Policrates. Rumou entäo para a Itäliapor uma meno e barcando em Crötona, Cidade fundada ava . Cida e Aqueus. La fundou Pitágoras, quando jasacont eda e que - ; importante escola de medicina, a famo socivarı as partes da nos anos subseqiientes, a ramificar-se por = e? Variam as opiniôesal. > a natureza daquela sociedad a Dicearco, filösofo oa insula itálica. Conforme tradicäo que remonta ava-se cin + tético que floresceu là pelo ano de 320, tratsua i tgs = politica, podendo-se isto comprovar pela ou,wa n pes luta governo local, pelas peripécias por que pass nta a Aris! o 1 partidos politicos, Outra tradigío, que remoo de Aristote sa também filésofo peripatético, contemporanee era francamente Teofrasto, diz que a natureza da sociedad Burnet, ae cientifica. Para outros finalmente, comoesse ncialmente n si sua origem pelo menos, de uma entidade . r, a seus ne cujo fim especifico consistia em asseegura do que a oferecida pelo uma satisfacio religiosa mais eficient cr icipou francameo nte liga pitagérica part M Pi é queativa idad wo po e ific ient e: mistico, filoséfico-c 4 .22 très ramos de co-cien Vejamos, primeiramente, 08 aspectos mistico e filoséfi r gorismo na velhdea P que evoluiu O pitalivre ereo trad ; ne e , tratou-s icionalmente onde era o géni 0 situacáo que só fora observada, até entao, no Oriente: Pp. Fees 21, JoserH FABRE, La pensde antique. Alcan, Paris, 1909, de Aug. Trad. 22. JOHN BURNET, L'aurore de la99.philosophie grecque. Reymond, Payot, Paris, 1919, p.

Página 10

Ver en el PDF(se abre en una ventana nueva)
volvimento da atividade racional ao lado da atividade mistica. Ao mesmo tempo que adotavam os itälicos a atitude intelectual mais elevada — teörica, desinteressada, contemplativa — tinha essa atitude funcäo catärtica. Também na india — como nos demais paises do Oriente — apresentava-se a Filosofia como soteriologia: tratava-se da “via do conhecimento”, proclam ada por muitos hindus como a mais eficiente para conseguir-se a salvacäo. Escreve Guthrie que, “na idéia de purificacäo da alma, aproximamo-nos do vinculo que une os aspectos religios o e filosófico do pitagorismo, capacitando-nos a ver, dois elementos de um sistema unitàrio” 23 neles, i os | | A pratica da catarse — atitude mistica — levou os pitagöricos a grandes progressos no ämbito da Filosofia e da Ciéncia Por outro lado, suas descobertas cientificas conduziram-nos a atitudes francamente misticas. lembrado por Gomperz. Exemplo muito ilustrativo & Atribuiam os pitagóricos, à música alta funcäo purificadora do espirito: informa-nos Ariatizeno de que utilizavam eles a música para purificar a alma, assim como a medicina para purificar o corpo. Voltan do ao exemplo do velho mestre — tao entusiasta das matemáticas como da música — quando lhe revelou essa verificacäo o reino maraentäo, inaccessível à penetracäo científica. Tal verificacäo levou Pits oras a estabelecer os intervalos musicais — quarta, quinta citava senzivel do musico por vocacáo. Pode-se imagi nar — continua Gompe rz — melhor, o núcleo e a esséncia mesma das coisas? Dai, as afirmativas de Aristöteles, relativas à filosofia pitagörica, por uns, consideradas incongruentes, por outros, consonantes: a. as coisas sáo números; b. as coisas imitam os números. “Todo o céu — escreve o estagirita, referindo-se 4 filosofia dos itálicos25 — 6 harmonia e número.” Dai, a “harmonia das esferas”, proclamada pelos pitagéricos e da qual nos da noticia, outra vez, Aristöteles: se pequenos corpos, desenvolvendo pequena velocidade ao nosso redor, produzem sons, por que nao haveria de ocorrer outro tanto com aquelas massas gigantescas que säo os astros? “Apoiados em tais raciocinios bem como no argumento de que as velocidades, dependentes das distäncias, tem as proporgöes musicais, asseveraram eles (os pitagöconstitui harmonia. Considerando entretanto que possa parecer ouvimos desde o momento em que nascemos, o que o torna indiscernivel de seu oposto, o siléncio, sendo um e outro distinguiveis pelo contraste. Assim como os ferreiros perdem, pelo habito, qualquer sentido de diferenciagao, o mesmo ocorre com os demais homens.” % Prosseguindo, proclamaram os itälicos que o número 7 constituia o tempo critico, pois os periodos de sete dias, sete meses e sete anos têm papel preponderante no desenvolvimento dos seres; 4 ou 9 constitui a justiça, pois se obtém cada um desses numeros pela multiplicacäo do primeiro par e do primeiro impar descoberta para a mecanica dos sons. “A histöria da Ciéncia näo conhece acaso mais feliz” 23. própria regularidade que penetra todos os setores da natureza, estranho nao percebermos tal som, argumentaram eles que o altos e baixos, dependiam do comprimento da corda vibrat éria À Imagine-se — diz Gomperz — a surpresa altamente animad ora quais os resultados positivos dessa mais avancada: se se mostrou o som — um dos fenómenos mais fugidios — mensurável no espaco, e se é o número a medida espacial, por que náo haveria de ser ele a expressao da Verificou entáo o velho mestre, nos seus exercícios musicai s, que os sons etc. — ate aquela data, s6 discerniveis pelo ouvido Por outro lado, esse feito no setor francamente científico levou os itälicos ao terreno da imaginacäo mistica e filosófica ricos) que o som emitido pelo movimento circular dos astros utilizava Pitágoras um monocórdio que dispunha de neta vilhoso de principios inflexiveis num terreno, até W.K.C. GUTHRIE, op. cit., vol. 1, p. 199. 19 música apresentado por Gomperz, escreve ele que, cultivando a móvel, de modo a permitir a medida de sua corda. SOBRE PITÁGORAS E PITAGÓRICOS 24, TEODOR GOMPERZ, op. cit., vol. I, p. 102-104. 25. ARISTÓTELES, Metaf., I, 5, 986a, 4. ARISTÓTELES, Do céu, II, 9, 290 b, 15-29.

Página 11

Ver en el PDF(se abre en una ventana nueva)
por si mesmos, e, na justiça, ha reciprocidade de remuneracäo Sempre imövel, a inteligéncia é constituida da unidade, ao Haro que a opiniäo, sempre oscilante e móvel, é constituída de numero 2. Reunindo o homem que é impar e represe ntado pelo numero 3, e a mulher que é par, representada pelo número 2 constitui-se o casamento do número 5, Encontrando a hermonia sua expressäo perfeita pelo nümero 8. na oitava, representava-se a Cronos era um triängulo, e Zeus, amizade um dodecägono. “Eis ai — escreve Salomon Reinach — nts onde foi levada a Geometria incipiente pela concepcäo — no fundo sults Justa — de que o mundo é governado pelos niimeros” .28 Como se vé, a atividade cientifica que, segundo Aristöxeno teria sido a especifica da ordem, era inseparävel da ativid religiosa. Foi provavelmente essa duplicidade de ade atividades — mistica e intelectual — qua atraiu tantos adeptos , de ambos OS sexos, para a sociedade recém-fundada, tendo uns preferido esta, outros, aquela atividade, de acordo com a vocacäo. Dai talvez, a divisäo ocorrida dentro da liga, e da qual nos dio noticia Porfirio e Jämblico, entre “matemäticos” e st ticos”, dedicando-se Os primeiros, notadamente, ás mais re das pesquisas intelectuais, ao passo que preferiam os segundos atender, antes de tudo, aos preceitos que Se entrosav o aspecto mistico da ordem. nea Bang:DOO politica exercida pelos pitagöricos, näo ‚ como noutras cidades da Itälia we ter ela resultado de häbitos e costumes aki Ep = si ras e que impressionaram Meridional adotados pela favoravelmente ocais, notadamente, os conservadores. :en deu oportunidade ntido de participarem Tal imaos representantes da liga efetivamente do governo Informa-nos o historiador Diédoro de que Télis, lider Ab partido popular em Síbares — Cidade famosa em toda 27. LÉON ROBIN, op. cit., p. local a Grécia 69. 'histoi a Zoé Hachette, Paris, tomo I, = Pepi a 20€ sur l'histoire des philosophies. 28. SALOMON REINACH, Le ttres ; ; A SOBRE PITÁGORAS E PITAGÓRICOS 21 antiga pela volutuosidade de seus habitantes — persuadiu seus concidadäos a banir quinhentos oligarcas ricos, bem como dividir seus haveres entre os sibaritas. Tendo os exilados procurado refúgio em Crótona, foi esta, caso os recebesse, ameacada de guerra por Télis. Reunida a assembléia crotoniense para decidir a questáo, esteve ela a ponto de submeterse à exigéncia do líder sibarita, nao fosse a intervengáo enérgica de Pitágoras, que convenceu 05 representantes de Crótona a receberem os exilados. As duas cidades foram á guerra, tendo as forcas crotonienses, comandadas pelo pitagórico € atleta Milo, conseguido vitória espetacular. Consta mais que os vencedores arrasaram de tal modo a Cidade vencida que, relativamente poucos anos mais tarde, náo se encontravam sequer seus vestígios. Ora, algum tempo antes, havia Crótona sofrido séria derrota militar, ás margens do rio Sagra, por parte dos locrianos, e sentia ela ainda os efeitos morais negativos do desastre quando fundara Pitágoras sua ordem. Só por forca desse episódio, pode-se avaliar o prestigio dos pitagóricos diante dos políticos locais, notadamente, os representantes do regime conservador, A notícia da participacäo dos pitagóricos nos negócios políticos favorece o ponto de vista daqueles historiadores que admitem decidida influéncia de Pitágoras, sob todos os aspectos, sobre Platáo: famosa se tornou essa proclamagäo do autor da República (V, 473 c-d) de que “enguanto os filósofos náo se tornarem reis nos Estados ou aqueles que denominamos reis e soberanos náo forem verdadeira e decididamente filósofos, ... náo cessaráo os males dos nossos organismos estatais nem ... os da humanidade...” A infiltracio de elementos pitagóricos no ámbito político de Crótona provocou antipatia por parte de muitos crotonienses, Alguns desses consideravam-nos forasteiros indesejáveis, que queriam assenhorear-se da Cidade. Viam-nos outros através de prismas diferentes, mas também desfavoráveis. Parece que se agravou a situagäo quando um rico represen-

Página 12

Ver en el PDF(se abre en una ventana nueva)
tante da aristocracia local, Cilon, pretendeu ingressar na ordem pitagörica, mas foi recusado por motivos de natureza moral. Despertou-lhe a recusa ódio intenso, levando-o a uma campanha sistematica contra a sociedade. Täo intensa foi a propaganda promovida por Cilon contra a liga, que teria Pitagoras julgado prudente exilar-se em Metaponto, outra Cidade da peninsula itälica. Entretanto, continuaram os pitagöricos mandando em Crötona, até que um dia, depois de ter convencido muitos de seus concidadäos dos maleficios da ordem intrusa, conseguiu Cilon, com a ajuda de um arruaceiro de nome Ninon, vinganca espetacular contra os inimigos: a turba invadiu a casa onde se encontravam reunidos os confrades, ateou-lhe fogo, promovendo a matanga da quase totalidade dos integrantes da liga local. De acordo com versio que remonta a Aristöxeno, só conseguiram escapar do massacre Arquipo, que se refugiou em sua terra, Tarento, também na Italia, e Lisis, outro tarentino que, havendo-se retirado mais tarde para Tebas, teve como discípulo o famoso general tebano Epaminondas. Náo deve ter ocorrido o massacre antes da morte de Pitàgoras, provavelmente em Metaponto. Escreve Porfirio em sua Vida de Pitdgoras que, apesar do rigoroso siléncio imposto pelo velho mestre a seus discipulos, sabia-se que professava ele as seguintes doutrinas: primeiro, a da imortalidade da alma; depois, a da metempsicose; além disto, a de que “as ocorréncias passadas se repetem em processo ciclico, nada havendo de absolutamente novo."; finalmente, a do parentesco de todas as coisas vivas. Tendo-nos já referido, aqui, à doutrina da metempsicose, falaremos das demais em outra oportunidade. SYLVIO BARATA VIANNA — { Vianna se fonde sur les études les plus classiques pour essayer de dégager, de l’ensemble des légendes qui les entourent, les traits les plus vraisemblables de la vie et de la personnalité de Pythagore , et des théories pythagoriciennes.